Desde Platão é bem conhecida a identidade e analogia entre a parte e o todo, o indivíduo e a coletividade. Byung Chul Han filósofo coreano radicado em Berlim, inspirado em tal relação procura determinar as origens dialéticas para uma já em curso sociedade do cansaço.

Em Violência Neuronal, argumenta que essa identidade entre indivíduo e meio social, é útil e bem pertinente para a compreensão das transformações tanto sociais quanto individuais. Nesse aspecto, sugere um paradigma imunológico que predominou até fins do século passado. Nesse modelo procura-se distinguir precisamente o igual do diferente, o amigo do inimigo, o nacional do estrangeiro, o bem do mal, a saúde da doença, louco do são. Como consequência, é uma sociedade de prevenção. Segundo o filósofo coreano, esse tipo de sociedade tem sido substituída por um paradigma neural. O risco não está mais na ameaça de invasão aos sistemas, mas em sua pane interna cuja origem é superaquecimento através de hiperatividade, explicando assim o porque em nosso século ser recorrente problemas de índole neurológica e psíquica: depressão, déficit de atenção, transtorno obsessivo-compulsivo e etc.

Em Além da Sociedade Disciplinar, deixa claro como o paradigma imunológico pode ser descrito nos termos de uma sociedade disciplinar em termos foucaultianos. Que este tipo de sociedade de prevenção e controle está sendo substituída por uma sociedade do desempenho.  Desempenho que se estabelece em termos positivos como produtividade e sucesso, e que para tanto, necessita exigir cada vez mais do indivíduo, tal como em Metrópolis, clássico do cineastra austríaco Fritz Lang.

Como consequência, em O Tedio Profundo procura descrever como essa nova exigência produz compulsivamente uma sociedade de fracassados e gente insatisfeita, depressiva e melancólica que para aumentar seu desempenho necessita compulsivamente de medicação e estimulantes dos mais diversos. A necessidade de estímulo para uma sociedade sem estímulo algum. Na sociedade do desempenho o valor da mão de obra e determinado pela capacidade em executar várias tarefas ao mesmo tempo. É uma sociedade multi-tarefal e que por isso exige pouca (ou nenhuma) capacidade de reflexão, apenas reprodução metódica e mecânica. Essa ausência de reflexão nos identifica com os animais e explica, segundo Byung Chul Han, os motivos para uma sociedade cada vez mais erotizada, impulsiva e violenta.

Em Vita Activa, inspirado em Hanna Arendt, descreve como, segundo a filósofa, o “homem moderno (…) estaria passivamente exposto ao processo anônimo da vida”, inibido de toda capacidade para agir, onde todas as suas atividades estão reduzidas ao patamar do trabalho. Byung critica Hanna Arendt na constatação de que seu conceito de vita activa (vida de ação­) se aproxima consideravelmente com o sujeito hiperativo e estimulado dos dias atuais. Inicia, portanto, uma longa apologia ao tédio como instrumento de reflexão, de pausa e antecipação da ação.

O tédio enquanto instrumento de reflexão implica em demorar-se para a ação, mas não a negação da ação. Esse tipo de postura é determina uma outra maneira de ver. Exige uma Pedagogia de Ver.

Por fim, sintetiza essa série de relações metodológicas em dois tempos. Em O Caso Bartlheby, tipifica o conto de Melvilles como uma perfeita descrição do modelo de uma sociedade disciplinar, onde o homem é completamente reduzido a animal laborans, a força de trabalho, seguindo o paradigma imunológico. Nesse caso são seus personagens a expressar certa ambiguidade com o meio, expressando uma série de problemas psicológicos, antecipando assim outro paradigma social.  A exceção está no próprio Bartlheby e sua curiosa propriedade em suspender tragicamente essa condição em seu “Prefiro não”. A partir dai Byung Chul Han se dedica a uma longa contestação a interpretação feita por Agamben sobre o conto, onde Bartleby é avaliado através de uma perspectiva teológica e messiânica. Posteriormente dedica-se à Sociedade do Cansaço como paradigma sociológico presente, mas também futuro. É o que somos e o que nos tornaremos. Um projeto em curso.

Um livrinho com uma linguagem clara e bem acessível, com uma temática bem conhecida, cuja originalidade consiste na síntese entre seus elementos já bem conhecidos entre nós.

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Bibliografia

AGAMBEN. Giorgio. Bartlheby ou da Contingência. Ed. Autêntica. 2015.

CHUL HAN. Byung. A Sociedade do Cansaço. Ed. Vozes.2016.

PLATÃO. A República. Fundação Calouste. 1997.

LANG. Fritz. Metrópolis. 1927/2010.

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Um comentário sobre “Sociedade do Cansaço

  1. Problema nao é a canastrice do texto vazio, problema é a chatice do texto. Texto enrolando lero, com papinho “paradigma imunológico a nível di talidade em si”. Depois as pessoas pegam ódio da filosofia e abracam a onda do pokemon e a gente nao entende o porque. Sai pra lá, filósofo coreano radicado em Berlim, já temos problemas sociais o suficiente!

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