Todo filósofo é um palhaço.

Exatamente porque toda sua sobriedade consiste justamente no esforço dedicado em alcançar uma verdade que apenas está em sua cabeça, e que ele considera idêntica ao peso do universo. Que o universo tem o peso de sua cabeça. É justamente nessa intensão que a filosofia perde qualquer legitimidade e se torna uma brincadeira, motivo de riso. Tem pretensão demais!

De que é feita a realidade?

Segundo o filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855), de pura ambiguidade. Claro, uma definição como esta não está isenta do conceito que ela mesma aplica, e nesse caso, a única resposta possível consiste justamente num “é impossível saber”. É justamente essa ignorância fundamental que estabelece o nascimento da filosofia socrática: o choque em reconhecer que não há em toda a existência um fundamento que a legitime, aquilo que Kierkegaard denomina o desespero humano.

Embora pareça muito triste, é possível contestar esse desanimador andamento das coisas: se o real é ambiguidade, qual seria a única linguagem possível de expressá-la? Obviamente que uma linguagem ambígua. Sendo assim, o conceito não pode ser o legítimo instrumento de um filósofo, daquele que reconhece que nada sabe, mas sim sua ironia (e até mesmo a poesia). O filósofo é por natureza um ironista debochado, cujo exercício retórico consiste em indagar seus contemporâneos a fim de descobrir se sua ignorância é apenas particular (cuja origem é apenas pouca informação) ou universal (que independe da quantidade de informação que temos).

“Posto que a tradição tenha vinculado à existência de Sócrates a palavra ironia, isto qualquer um sabe, mas dai não se segue, de maneira alguma, que todo mundo saiba o que é ironia. Além disso, se alguém, graças a um conhecimento íntimo da vida e das circunstâncias de Sócrates, chegou a formar para si uma ideias das peculiaridades dele, não tem, de jeito nenhum, um conceito completo do que seja a ironia” (Soren Kierkegaard em “O Conceito de Ironia”. Ed vozes. 1991. pág. 24)

“Ao contrário, a ironia é um ponto de vista novo, e, enquanto tal, absolutamente polêmico frete à antiga cultura grega, e aos mesmo tempo é um ponto de vista que constantemente se exprime e aí mesmo, ela é um nada que devora tudo, e um algo que jamais se pode agarrar, que ao mesmo tempo é e não é; mas isto é uma coisa cômica em seu mais profundo fundamento. Assim como a ironia derrota portanto tudo, ao ver em cada coisa a sua discrepância para com a ideia, assim também ela se situa abaixo de si mesma e contudo permanece nela” (Soren Kierkegaard em “O Conceito de Ironia”. Ed vozes. 1991. pág. 111).

Claro, esse tipo de exercício, próprio de crianças, de puro questionamento, não deixa nada em pé, pois convence que toda criação humana, é no fim das contas, pura arbitrariedade: leis, costumes, tradições de muitos séculos. Sem nenhum critério autenticamente absoluto, posto que não os tem disponíveis. Como consequência é preciso escolher entre o tudo e o nada. Sempre queremos alguma certeza que nos situe no mundo, e o chato do filósofo que a contesta sempre será levado a julgamento e à morte por isso.

No final das contas, melhor filósofo (ironicamente) é a criança. veja como são as coisas: as primeiras indagações de uma criança são “O Que é?”. Nós adultos respondemos ” O que é?” com ” Pra que serve?”.. É assim que nós ouvimos a pergunta da criança. Ela pergunta uma coisa e nós respondemos com outra. Isso é fruto de uma educação, de uma produção de consciência. nós aprendemos a substituir ” O que é?” com o “Pra que serve?” Durante toda a nossa a vida adulta todas as respostas vêm da utilidade das coisas. Mas ai envelhecemos, e quando isso acontece, a utilidade já não dá mais conta. É quando voltamos a questionar como uma criança.

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